agosto 19, 2006

Coisas De Amor


Desalento entre instantes de sorrir.
Espinho moderado na garganta que esfola mas não mata.
Gato com rato na boca (já viu?), parece que brinca com a vítima, mas olhando bem
é tortura que aprisiona, solta, empurra, traz para si, afasta, morde, mastiga, sopra descansa, olha de novo, pega tritura e enfim
dá o suspiro com olhos virados para o céu e misericórdia de deuses desconhecidos,
a patada final que apaga a última estrela de diamante que brilhava no olhar do rato agora purificado.
O gato era quem o rato amava e não sabia, em sua pureza dos que mal nasceram, mal desconfiando que ele, o rato, era a presa;
e o gato, na essência natural das leis que regem a natureza, o predador.
Descansa agora o gato, deitado em almofadas de cetim, lambendo os pêlos, esperando a próxima entrada.
O rato perdido entre cometas suicidas e densas florestas de musgo e magnólias descoloridas, ainda sofre e chora a perda do amor.

albanegromonte

agosto 18, 2006

Para Werther


Agora eu Sei, caríssimo...



Amanheceu mais cedo, como sempre acontece, pois ainda não troquei a persiana arrebentada. O despertador chamou duas vezes, e esperei o silêncio que este barulho evoca logo após, mas foi tua voz quente e preguiçosa que me disse a oração diária: “vai levantar ou te empurro?” Nem precisou. Pulei da cama e mesmo sem óculos, vi todos os contornos apolíneos do teu corpo semi-coberto pelo lençol com motivos infantis (capricho teu, ao qual não resisti).
O teu olhar de mel, não foi menos espantado que o meu: “O que houve? Baratas ou pregos na cama? Teve pesadelo de novo? Vem cá, dá o beijo do teu príncipe e cuida que a hora está passando.”
Procurei os óculos para ver se era verdade, mas não precisava. Como um cego não precisa da visão para sentir que há alguém num lugar. O frio do ar-condicionado que nunca uso, o cheiro do teu corpo no ar misturado com cheiro de amor, que diziam, que diziam... meu Deus!
O que aconteceu? Roupas espalhadas, garrafa de vinho vazia, taças enviesadas perigosamente sobre o criado-mudo. Minhas entranhas ardiam como sempre no day after . Meus pulsos tinham marcas vermelhas e meus lábios inchados não desmentiam o óbvio: fizemos amor. E pra valer.
Para não enlouquecer de vez, saí silenciosamente do quarto e fui ao banheiro. Tua escova de dentes rubro-negra, teu shampoo, teu creme de barbear, teu desodorante... tudo no seu lugar. Como se nada tivesse acontecido nos últimos 11 meses. Como se estivesse acordando de um sonho mau, muito mau, meu coração batia em descompasso com a mente que buscava explicação para aquilo tudo. Eu sabia que algo acontecera.
Os meses de insanidade, de depressão e dor, ainda me marcavam a memória. Meus remédios tarja preta jaziam junto aos cremes que tentam deter o Tempo, dizendo que algo ali era real.
Olhei no espelho, e me refleti mais jovem.
Eu estava um ano mais jovem. Mas como?
Tomei uma ducha quente, lavei os cabelos e fui à cozinha fazer um café forte. Bem forte. Ao procurar o adoçante vi que estava por trás da lata de leite em pó. Leite em pó??? Mas eu não tomo leite em pó desde que fiz 5 anos de idade.
Atordoada, abri a geladeira e lá estavam as dezenas de latinhas de Coca Cola, o suco de pêssego em caixa, o vidro de palmito mal fechado, o seu bolo preferido, a torta gelada especial da sua mãe...
Fechei a porta e li desolada o bilhete escrito com minha letra infantil, pregado na porta da geladeira: “Belo, tem sanduíche de atum na geladeira e leite pronto. O café deve estar bom ainda. Amanhã trabalho ás 7h e não precisa programar o despertador, pois já fiz isso. Voltarei às 19h. Quero ir pro cinema . Hoje é sua folga, não? Não esqueça de pagar a luz. O cartão está no lugar de sempre. Beijo na boca. Tua sempre. PS: E não me acorde pra papear, que estou muito cansada e já passa das duas horas...”
Pensei em ligar pro meu psiquiatra, mas a loucura era absurda demais. Até para ele.
Certa de que algo ainda iria acontecer explicando o inexplicável, cumpri meu ritual. Ao abrir a porta da casa, vi que a chave não era a do meu carro. Demorei pra entender que você entrara por último, então a minha estaria jogada em algum canto da sala.
Desci o elevador sozinha e com óculos escuros para que ninguém visse a perplexidade refletida nas minhas retinas.
Liguei o piloto automático e segui avenida afora com todos os pensares por dentro.
Como ainda era cedo, estacionei na beira-mar para um pensamento qualquer que me livrasse da angústia de ter em casa, alguém que partiu há um ano, sem virar as costas, sem dizer adeus.
Um vento frio vinha do mar e as ondas batiam altas nos arrecifes.
Praia vazia. Alguns andantes pelo passeio, uma babá empurrando o carrinho com um sonolento bebê dentro, uma garotinha brincando com seu cãozinho, outra jogando bola sozinha na areia ainda fria.
Não havia sereias, Iemanjá ou Poseidon para me explicar o que estava acontecendo, por todos os deuses!
Voltei pro carro e liguei o radio, onde alguém cantava que “andou pelas ruas, um insano, um molambo, que queria se atirar no mar só pra se afogar”
Eu.
Freei de súbito, fiz retorno na contra-mão e voltei para casa. Pelo celular, avisei que estava doente e não poderia ir trabalhar. Que remarcassem os pacientes para amanhã (?).
Acelerei o máximo, e um sorriso que estava guardado há 11 meses, se abriu inteiro em minha boca pintada, então repleta de lembranças que vinha escondendo nas gavetas da alma dolorida.
Meu coração saltava que nem pipoca estourando dentro da blusa, dentro do peito. Meus olhos enxergavam toda a beleza do dia. Deus existe. Eu creio. Me agarrei ao crucifixo que sempre trago no pescoço e agradeci por esse momento que nem mais esperava acontecer.
Entrei no prédio como um bólido.
O porteiro tentou me dizer algo, mas disse: “ Depois”, ainda assim, me entregou um envelope amarelo. Nem olhei. O que significa um envelope amarelo numa hora plena destas?
Abri a porta devagar, tirei os sapatos e fui à geladeira e não viu meu bilhete enigmático (“Não lembro o que aconteceu... Me liga pra contar. Beijos. Tua sempre”)
Será que ele já acordou e saiu?
Fui até o quarto. No corredor, o coração descia degraus velozmente até meus pés descalços.
Abri a porta e o vazio me congelou.
Não havia você.
Não havia roupas no chão.
Não havia ar condicionado ligado.
Não havia cheiro de nada.
Meu lençol cor-de-rosa se enroscava nos quatro travesseiros que pareciam rir da minha tolice.
Sentei na cama e larguei no rosto, todas as lágrimas guardadas depois de tantas buscas e sofrimento.
Chegou a hora. O fim do poço é este.
Escondido por trás do edredon, no canto esquerdo do guarda-roupa, estava o meu kit Werther. Retirei as peças:
-um vestido branco
-uma calcinha branca de algodão
-um batom cor-de-boca
-um perfume de rosas
-uma plástica rosa branca
-uma fronha de seda pura
-um bilhete pros meus pais, para meus irmãos e sobrinhos e para meus raros amigos... explicando, justificando, pedindo perdão...
-um papel com todos os códigos e senhas necessárias
-um triste testamento, apenas livros para Anna K., bonecos de pelúcia para o IMEC, coleção de marcadores de livros para Ana P.. As jóias para minha irmã caçula, os CDs pro meu irmão, o violão para minha sobrinha, minhas roupas para minha cunhada. Meu São Jorge para a minha mãe. Minha caneta pro meu pai.
Retirei o copo de cristal da Baviera envolto em papel de seda. Mesma seda com que enrolei um cigarro de maconha e me despedi do antigo vício.
Liguei o som para tocar continuamente Albinoni- Adagio.
Enchi o copo com água Perrier (morro, mas com classe)
Tomei outro banho, com sabonete de morango, passei no corpo óleo de amêndoas com cristais dourados. Vesti o vestido, deitei sobre o travesseiro de plumas e engoli um a um os sessenta comprimidos guardados ao final de cada semana do mês em que não me aparecias, cada um dos dias longe do teu sorriso.
Meus olhos pesaram e comi um tablete de chocolate meio-amargo, e tomei uma taça de vinho tinto.
Acendi um cigarro Carlton. O primeiro e último cigarro que fumei. Será que isso dá uma boa propaganda?
Lembrei de súbito, dos e-mails dos amigos virtuais a quem avisar.
Escrevi com letra trêmula, já quase sem coordenação.
De repente, ao pé da cama, o envelope amarelo.
Sorri e decidi ler.
Preferia ler um poema de Fernando Pessoa, mas a estante agora estava longe e não se pede ter tudo mesmo, não?
Ao abrir o envelope, teu cheiro me invadiu as narinas.
Sabia que seria assim no final.
Quando a minha loucura fosse incontrolável, tudo me traria você.
Com a visão já embaçada, li as palavras escritas com tua letra infantil.
“Mimi, sonhei com você. Sonhei que éramos dois mais uma vez. Foi um sonho lindo e eu não queria ter acordado. Mas acordei e vi que minha vida agora é outra, onde não cabe o amor. Apenas saiba que hoje, quase um ano depois da nossa separação, nós fizemos amor no lugar que você chama de Terra do Nunca e eu chamo de Terra do Sempre, pois sempre vou te amar e um dia vou te buscar lá para ser só minha, como está escrito. Me espera. Te amo. Teu sempre.”
Caí sobre o travesseiro e todas as lágrimas femininas de Eva, Heloísa, Helena, Penélope, Guinevere, Julieta, Desdémona, Lígia, Penélope, Madalena, Joana, Inês... juntaram-se às minhas.
Não lamentei meu ato, pois sei que tua volta duraria uma encarnação e já não posso mais com tanta dor a me dilacerar dia após dia.
Minha cabeça ficou zonza, liguei para minha mãe, disse que a amava e ela não entendeu bem, eu acho.
Liguei para o padre da minha paróquia e pedi que orasse por minha alma eternamente perdida.
Abri a Bíblia e o Salmo que me brotou aos olhos baços, foi o que diz “Senhor, Tu és meu refúgio e minha cidadela”.
Não suportei mais.
Minhas entranhas se revolviam em espasmos e minha boca se contorcia. Todo meu corpo doía, os músculos se contraíam e a cabeça latejava como se fosse explodir num minuto.
Eu não sabia que sofreria.
A respiração foi ficando curta e absorver oxigênio passou a ser uma luta.
Gritei muda pelo ar que não vinha.
Mais espasmos me dilaceravam por dentro e sangue me saía pelos ouvidos e nariz. Fiquei nauseada, tentei levantar. Caí de joelhos sobre o chão liso e frio.
O céu escureceu, ou meus olhos cegaram?
Tudo ficou escuro.
Meu Deus, não quero morrer agora.
Adagio se repetia nas caixas de som que ecoava em meus ouvidos como gritos de almas penadas. Desliguei tudo.
E o silêncio se fez.
A dor era tamanha que achava que não suportaria mais estes vinte minutos proclamados nos estudos da farmacologia da droga que usei.
Arrastei-me pelo corredor, deitei-me no tapete da sala, ao lado dos peixinhos Julio Cortazar e Jorge Luís Borges, que me olhavam inertes e com fome. Eu esquecera de alimentá-los hoje.
Chorei por eles.
Chorei por mim.
Ao longe, o som estridente da minha campainha.
NÃO QUERO SER SALVA!
Pare de tocar quem seja e vá embora.
Mas este grito surdo fez com que eu vomitasse o que não comia há dias.
Na clareza atávica dos que se vêem cara a cara com a morte, arrastei-me até a porta como se fosse um ser apenas tronco e cérebro corroído.
Escalei a porta e abri.
Precisava dizer a alguém que morrer dói, que no fim, todos se arrependem.
Meus olhos cegos de dor e sangue que agora também lhe afluíam além dos ouvidos e nariz, sujando o lindo vestido branco, viram você.
Miragem.
Alucinação.
Desejo de condenado.
Fechei os olhos, virei a cabeça e morri.
Mas antes te ouvi dizer...
“Porque Mimi? Eu pedi pra me esperar que eu iria voltar”.


albanegromonte, no dia da sua morte, em 15 de agosto de 2006.

agosto 06, 2006

Che



Yo tuve un hermano
No nos vimos nunca
pero no importaba.
Yo tuve un hermano
que iba por los montes mientras yo dormía.
Lo quise a mi modo,
le tomé su voz libre como el agua,
caminé de a ratos
cerca de su sombra.
No nos vimos nunca pero no importaba,
mi hermano despierto
mientras yo dormía
mi hermano mostrándome detrás de la noche
su estrella elegida.

Julio Cortazar, 29 de octubre de 1967

Demon Love

Para Augusto dos Anjos
as dores da alma são tão difíceis de suportar...
ardem no peito que sangra
trazem feridas cicatrizadas então abertas e pustulentas

ah, as dores da alma...
lançam fogo aos torturados da Inquisição do amor
e volteiam em chamas de saudades seus corpos agonizantes
diante da feroz turba que não sabe o que é amar

as dores da alma não têm remédio
não há chá, mezinha, antidepressivo, psicanalista, xamã ou pai de santo
que dê jeito na dor, na faca encravada no coração
no fogo que queima devagar cada fibra de um ser que já não suporta mais tanto

nem os vermes subterrâneos se atrevem a roer as carnes de quem morre de amor
trazem veneno e maldição

as roupas são atiradas no fundo dos rios bonitos do mundo
Sena, Tâmisa, Tejo, Capibaribe...
e jazem junto ao lodo até nele se transformarem
lama mortal que atrai os desvisados nautas que vão buscar pérolas e voltam cegos

ah, as dores do amor...
crias do anjo caído
para provar a inexistência de Deus

pois se Este fosse piedoso
não permitiria mais esse sentimento que tortura, cega, emudece, trai e mata por fim.

albanegromonte

agosto 04, 2006

Historia de Cronopia

Um Cronopio disfarçado no frio...



outro dia (um dia muito feliz), eu ganhei de presente meu tão sonhado livro de Cortazar sobre os Cronopios e Famas.
desde então não largo dele que me acompanha por todos os meus andares.
leio&releio.
abro páginas aleatoriamente.
tem histórias que já sei de cor...
então hoje eu estive meio triste, e alguém muito querido me sentiu assim, pelo jeito de falar, não sei bem... talvez eu seja mesmo muito transparente nos meus sentimentos...
dei-lhe uma desculpa qualquer e disse-lhe que conversaríamos depois&depois.
saí pro trabalho, viajando naquela tristeza naquela tão doída e meu radio tocou uma velha canção que sempre me aquece... She... aí a lágrima besta não se aguentou mais e desceu com toda a plêiade que a acompanhava bem no pára-brisa do meu carro e no meu rosto um tanto cansado dos dias estranhos que se vive por este mundo de meu Deus.
um acidente logo à frente, travou o trânsito.
como ainda era cedo, parei no Marco Zero do Recife, que fica à beira do cais...
brilhava uma lua linda sobre o rio.
e como havia luz, peguei Julio pela mão e fomos sentar na murada.
o vento assanhava meu cabelo que anda muito comprido... prendi-o do meu jeito habitual.
abri o livro e li a historinha do Cronopio que se formou em Medicina e abriu consultório. um homem veio ter com ele, e queixou-se de que não conseguia dormir à noite, comer, sorrir... o Cronopio então receitou-lhe um ramo de rosas. o homem achou estranho, mas foi lá e comprou.
logo ficou bem. feliz, com vontade de comer e passou a dormir bem.
voltou então ao consultório do Cronopio, pagou-lhe a consulta e deu-lhe de presente um ramo de rosas.
no mesmo instante, o Cronopio passou a não dormir bem, comer e ficou triste...
então um sorriso me veio.
e entendi o que se passava.
Cronopia que sou.
apenas absorvi o sentir de alguém a quem ofereci um ramo de rosas e um ombro pra suportar o mundo.
espero que meu paciente esteja bem.
eu, depois que compreendi a essência do Cronopio, já me alegrei um tanto.

albanegromonte

agosto 01, 2006

Cronopio Infantil... Outros Caminhos


O Avesso da estória, ou como se perder num sonho de criança.

Bem que eu disse. Eu disse. Não faça este caminho que o lobo te pega. Mas tu , com teus games modernos, achaste que poderia com ele. E com os outros todos... Fuzis, metralhadoras, armas virtuais, golpes orientais, slow-motion, efeitos especiais... nada disso te valeu quando a Rainha de Copas abriu o espelho de Alice e te convidou pra brincar... é... até que não foi mal. Em algumas jogadas, desfizeste o jogo e salvaste esta cabecinha de vento, embora se bem lembrares, foi com truques do velho jogo de damas que te ensinei ainda menino, que conseguiste driblar a poderosa e maldosa mulher. Mas confessa aqui... tremeste diante da bocarra do lobo, anh? Por pouco não viraste almoço. Não fosse o patinete de Chapeuzinho, largado ali no canto da sala, não poderias ter fugido tão rapidinho até o outro lado da floresta. Admito que dei risadas com a cara de bobo que o lobo ficou, ao te ver partindo em pé naquela geringonça de madeira... acho que nunca mais ele vai querer almoçar garotos. E a bruxa? Eu disse, não disse? Se encontrares uma casa toda feita de chocolates, não te aproximes. É perigoso! Mas não me deste ouvidos e devoraste a porta feita de sonho -de- valsa. Que susto, hein? De repente, a velha e carcomida bruxa surgiu do nada, e BUM! Te jogou no panelão. E agora? Pensaste, quando viste que teus artefatos up to date, estavam molhados e inativos... "Senhora Bruxa, não seria melhor me engordar mais um pouco? Estou tão magrinho..." Ufa! Ainda bem que lembraste como João e Maria se safaram... E na caverna dos Quarenta ladrões? Que seria de ti, sem a corda de pular, que se enganchou milagrosamente na pedra que fecharia para sempre os teus sonhos de menino? Temi por ti, quando o gigante do pé-de-feijão tateou as paredes do castelo, quase tocando os lençois amarrados por onde descias (em que aventura de Rin Tim Tim nós vimos isto?). E a madrasta de Branca de Neve, que na falta do que fazer, queria te envenenar com uma maçã? Sorte que te ensinei a lavar as frutas antes de comer (agora pensando... se Branca de Neve soubesse disso, teria poupado um bocado de trabalho ao Príncipe, não era?). E o feitiço do sono de 100 anos? Que idéia a tua, diante da incompatibilidade eletrônica do teu artefato anti-magia sonífera? Fechar os olhos, tampar os ouvidos e o nariz, não tocar em nada... e! O feitiço não te atingiu nenhum sentido e pudeste sair em paz daquele castelo mal assombrado. Não gostei que quisesse contar ao Patinho Feio que ele era um cisne. Ainda bem que teu tradutor de linguagem animal não converteu naquela atmosfera. Foi engraçado, reconhece: Tu piavas como um pinto recém-nascido, e o patinho balançava a cabeça para lá e para cá, como quem não está nem aí... O jeito foi nadar até o outro lado da história para conhecer a bailarina que namorava o soldadinho de chumbo... achei bonita a tua tentativa de impedir a separação deles. Mas sabes que eles ficam juntos no final, não é? E quando Rapunzel teve os cabelos cortados? Ainda bem que não conveceste o Príncipe a subir naquela mini-escada rolante... O que seria desta história depois? Eu disse, não disse? Não entra neste livro que não sei posso te tirar daí antes que cresças. ... era uma vez um garoto que não acreditava em contos de fadas e achava que com seus modernos artefatos de video games, poderia vencer todas as batalhas criadas pelos contadores de histórias, como seu avô, um velhinho maluco que desafiava o tempo há muitas e muitas gerações na sua família... mas isto já é outra história...

albanegromonte