janeiro 06, 2011

Pedra na Lua





isto não é poema nem coisa alguma. apenas uma alma
cansada, decidindo falar mais do que
a boca pode.
ou deve.

este poema não é para você.
por favor, afaste os olhos, vá olhar lá fora que tem uma lua muito bonita no céu.
este poema é para quem merecer minha intensidade de sentir&querer
para quem não tem medo do amor
para que não se assombra com turbilhões&tempestades no meio da noite,
este poema é para quem gosta de andar na chuva, de cruzar distâncias com as palmas das mãos estendidas
para beijos e o que mais vier.
definitivamente, este não é pra você,
que fica que nem a lua, pousado no céu da minha boca
ao alcance da minha voz
mas fingindo que não me ouve.
e escrever pra você é que nem atirar pedra na lua.
você e ela não se mexem
pois pedra&poesia não os atinge.
-é coisa de louco mesmo- 
este poema é para alguém
que possa enlouquecer junto comigo
no meio de uma praça de uma cidade qualquer, de madrugada
quando só os tolos apaixonados, os guarda-noturnos e as mulheres em trabalho de parto
estão acordados
este poema é para quem gosta de subir escadas pra não elevar a dor
para quem come pipoca com vinho tinto barato, assistindo filmes B na TV
para quem ri de qualquer coisa,
que conhece o inferno, mas prefere o céu
para quem escreve o livro da vida na própria memória
para quem sonha de olhos abertos e se reconforta embaixo de cobertores desbotados.
este poema não é seu.
este poema é pedra na lua do seu inerte e pobre coração
que não soube reconhecer meu bem-querer por trás
das mal escritas e maltratadas linhas
de pretensa poesia
que escrevi uns dias tantos nestes anos
pensando em você.
talvez, eu tenha que pegar carona no próximo foguete
se quiser alcançá-lo.
mas, tinhosa do jeito que sou
é capaz de nem esperar foguete nenhum
e me agarrar na cauda do próximo cometa, pousar em você e olhando bem nos seus olhos castanhos
dizer, que este poema não é seu,
mas o próximo, será certamente.

albanegromonte

7 comentários:

M. disse...

Mas é para mim!


:)

Há pessoas que não dão valor ao que tem. Nem ao que perde. Talvez um dia.

Se nunca...então também mais vale esquecer a dita:)

Daíse disse...

Adorei o início: este poema não é pra você!
Boa!
Bjos!

Lady Cronopio disse...

Ow, M!
Pode ficar com ele, sim!
Beijos

Lady Cronopio disse...

Daise, bom ter gostado.
Beijos

Djabal disse...

Coincidentemente escrevi um personagem com as mesmas características daquele que você descreveu.
Parece que é uma constante o medo do homem e a coragem da mulher. Tanta força para nada.
Quanta fragilidade perene e resistente.
Toda aquela beijo coisa.
;-@

Menina disse...

Bom,queria que fosse pra mim,mas...nem sei se tenho direito a alguma coisa mais.HUMPF!Aí fico só tentando decifrar(hahahahaha,achei até um trechinho de Ana...rsrsrsrs)
Coisa mais linda,mom...linda assim como você.
Quer me matar logo,diga!Assassina de almas já destruídas!

A propósito...como estão os olhos?Negros ainda?


Nhac pra tu!

Lady Cronopio disse...

Ah, Djabal!
E onde encontro este seu personagem?
Sua percepção deste poema foi no alvo!
Coisa aquela toda e beijos
;)