janeiro 05, 2011

Cores de Adeus




"o poeta é um fingidor... finge tão completamente,
que chega a fingir que é dor,
a dor que deveras sente"
Fernando  Pessoa


E o que de resto ficou,
meu amigo,
foi este ar de coisa sua cada vez que olho pro lado,
ou para dentro de mim.
Seu lugar na mesa,
na sala,
na cama,
na minha alma, por ora vazia...
Ficou uma canção perdida na memória.
 o cheiro, a cor, a dor
deste adeus tão sereno.
A lágrima inacabada,
o verso desfeito,
a flor seca, murcha e desmaiada
dentro do livro que nunca mais vou abrir.
Ficou ainda uma página mal escrita
maldita em sua brancura.
O vestido que não usei,
a sua cópia da chave,
a senha do banco eletrônico,
o anel azul de brinquedo
inteiro e abandonado entre as cores várias da minha
gaveta ninho de pássaros...
que dividi com seus objetos gatos famintos.
Ficou um pijama esquecido,
o vinil raro do Genesis,
a bandeira do seu time quase campeão.
(eu pensava ser campeã).
É assim que olho pro lado,
e pinto aquele seu olhar em aquarela de luzes
que vejo pelas persianas dos meus olhos,
cortinas agora rotas,
telas que são do que pensei
ser eterno e completo
com você.

albanegromonte

9 comentários:

M. disse...

Bem...

Muito íntimo para eu entrar no teu belo poema.

Nunca digas adeus. Antes um até sempre.

A paleta do poeta tem muitas cores. A tua ainda mais!

Daíse disse...

Oiiiiiiiiiiiii!
Adorei o seu blog! Parabéns!!!
Se quiser conhecer o meu, é : www.espiculaderodinha.blogspot.com
Bjos!!!

Menina disse...

Nuuuuooooossaaa,que coisa mais linda!
Coisa boa entrar aqui e ver minha Lady preferida escrivinhando...chega emociona essa pobre mortal!

Saudade das flores!E mesmo que não seja de plástico,ela nunca morrerá!

Xêro e amor.

Lady Cronopio disse...

Oi, M.
Feliz sempre com sua visita.
E não se preocupe, este adeus foi dado há muito tempo... mas como disse o mestre Pessoa, "o poeta finge a dor que deveras sente", e eu que nem sou poeta, fingi a dor que um dia senti.
É isso aí.
Beijos e aquela coisa toda.
ps: Enviei mensagem pela ferramenta do blog. Não recebeu?

Lady Cronopio disse...

Daise, querida!
Grata pela visita.
Já estou seguindo o seu.
Beijos e volte sempre.

Lady Cronopio disse...

Flores nunca morrem, Menina, principalmente quando seu perfume permanece...
Sei que entende.
Feliz que tenha gostado.
Xero&Amor
ps: Se sou a Lady preferida, suponho que existe outra... QUEM É?
shshshshs...

Djabal disse...

Hoje é o dia da sincronia.
Tenho aqui uma indicação para fazer.
Pegue o Gênesis do Robert Crumb, coloque a bolacha de vinil do Genesis para ouvir. E aproveite a história de um e a música do outro, para comemorar o renascimento do calendário, da vida, das dores, dos amores e das cores. Coisa aquela beijo toda.

Menina disse...

Nã,nã,ni,nã,nã...shshshshsh!
A única que existiu foi Lady Di e essa,Curupira,já died!
"Tó edixte tu"...Only you...solamente tu...pra sempre tu.

Que tal um poema sobre flores,hãn?hãn?

Aquele cantinho do lado direito(porque o esquerdo já tá lotado)do peito...tu sabe de quem é,né?!

Saudosista que sou e que estou...

Xêro no olho e na careca!

Lady Cronopio disse...

Sincronias perversas...
O Genesis sempre me fascinou, e não fosse você, teria permanecido num cantinho da memória que se mexido, pode doer...
Mas confesso, que desta vez foi bom o relembrar.
Quanto ao Crumb, só conheço o trabalho dele pelas páginas da Piauí. Mas gostei por demais!
Aquela coisa toda e beijos!!