maio 15, 2009

Jerusalém


(Mais um poema deste meu tão caro amigo, para você, Djabal)



Em Jerusalém

meu amor

as noites são de alerta

e a dor assusta o vôo das corujas



em Jerusalém

meu amor

dorme-se pouco

que a angústia aperta

são breves as carícias

e os risos inquietos

semeiam medo ao raiar da aurora

o perfume da morte e os gritos da agonia

serpenteiam pelas ruas poeirentas sujas

como cães deixam marca

e vão embora

partem com rumo ao findar do dia



em Jerusalém

meu amor

ouço as notícias que daí me chegam

vindas de muito mais além do horizonte

um velho agoniza

lento

aqui defronte e as sirenes não se calam

não sossegam



em Jerusalém

meu amor

sente-se o vento escaldante do deserto

e o sibilar das balas

lá ao longe

faz tremer de susto o missal do monge

há hienas que dançam aqui por perto



em Jerusalém

meu amor

só resta a esperança

num sorriso inocente de criança

José Manuel Restivo Braz,
Porto, Portugal

2 comentários:

Djabal disse...

Obrigado querida amiga pela doce lembrança. A poesia é magnífica, solene e melancólica, termina com o sorriso da criança e quem é que não se encanta? Obrigado pela lembrança e a.c.t. (hehehe) Beijos.

Lady Cronopio disse...

A um amigo como você, toda gentileza parece pequena.
Por isso que vez por outra salta uma lembrança que se materializa em palavras endereçadas a você.
a.c.t.
rs...
Sempre.