maio 14, 2009

Fragmentos


Apresento-lhes este poeta lusitano.


o cabide onde penduro os olhos do passado
é um necrotério de gaivotas desistentes
pairando sobre um perfume de sombras
no areal de sargaço abandonado…

vem-me à memória um bando de xailes negros
rezando terços ao cair da tarde
na aldeia onde passava o verão…

avé-marias, quase sem graça…

pais-nossos, lentos…

o calor envolvendo as casas num manto de opressão
e a melopeia que nunca terminava…

salvé-rainha…

depois era domingo…

missa cantada
foguetes
procissão
a banda tocando no coreto até ao fim da festa

então era o regresso…

a quem pedir um pouco mais de tempo
um pouco mais de mar?


(fragmento 13 – j m restivo braz)

Um comentário:

Djabal disse...

Muito prazer em conhecê-lo. Poderíamos conversar um pouco mais?
Obrigado, beijos, você.