Hoje eu sei que sou.
E antes?
Mas era o que dizia o Tempo e eu não me atrevia.
Hoje, sim, somos nós.
Para sempre e assim:
Meu mundo se completa no teu olhar que pousa suave e.
Bandeiras de amor total se abrem em paraísos verticais.
(Durmo em teu peito e acordo ainda mais feliz, pois)
Teu mundo se basta em olhar meu que negro se faz no escuro da noite que se aproxima e.
Eu, tua
Tu, meu?
Nem sei que segredo virá a me dizer, atormentar ou me felicitar.
Sei apenas que valeu a pena
Dor e pavor dos dias que se foram e não mais.
Eu e tu
Aqui e nem se até quando, mas haverá de ser um tempo feliz.
albanegromonte
janeiro 19, 2008
janeiro 03, 2008
D´Além Mar...

sempre coleccionei mapas, quer dizer, colecciono mapas há muito tempo, centenas de mapas em
minha casa, usados, imaculados, tanto faz, nos mapas escolho os caminhos sem medo, dou voltas
e voltas aos meus mundos de papel, vou a todos os lugares, sítios a que não associo uma
paisagem, uma cara, uma flor, nada, terras que só existem para cumprirem o meu desejo de
partir nas tardes de muito calor, estendo os mapas no chão do meu quarto, não quero saber
nada
sobre o mundo, nunca quis, nas tardes de muito calor
passo tardes inteiras de verão a viajar
Dulce Maria Cardoso
dezembro 26, 2007
Um Chamado João

Carlos Drummond de Andrade
João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para forçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta de boi risonho?
Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam que mistério é esse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com... (não sei o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.
(publicado originalmente no Correio da Manhã, em 22/11/1967, três dias após a morte de Guimarães Rosa)
dezembro 25, 2007
Mundo de K.

É um mundo que vale a pena vasculhar...
Lá se encontra a Arte em suas formas todas.
Erudição sem fricote.
Onde eu me inspirei para este último post.
Espiem e depois me agradeçam.
Heart-Shaped Box
She eyes me like a pisces when I am weak
I've been locked inside your heart-shaped box for weeks
I've been drawn into your magnet tar pit trap
I wish I could eat your cancer when you turn black
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Your advice
Meat-eating orchids forgive no one just yet
Cut myself on angels hair and babys breath
Broken hymen of your highness I'm left black
Throw down your umbilical noose so I can climb right back
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Your advice
Kurt Cobain
dezembro 21, 2007
A meus 5 leitores...

Meus três irmãos, meu amado e você que me lê agora...
Não sei o que se dá nesta coisa de edição, pois tudo que delimito como, digamos poema, sai assim, horizontal, ainda que eu goste deste jeito de postar, mas às vezes o dizer se deita tanto que até fica incompreensível... Enfim, desculpas por não saber mexer nisto tudo, neste universo de letras que me aparecem e nem sei pra que servem se é que...
Mas, acredito que um dia, o meu irmão mais famoso (né, Tio Punk?), vai perder um pouco de tempo por este boteco e ver o que se pode arrumar...
Até lá... Leiam como quiserem.
Tudo é mesmo de coração e alma, que se esvai para vocês que me lêem e sabem da minha paixão toda por esta coisa que se chama Literatura.
Beijos, Feliz Natal e aquela coisa toda pra vocês.
albanegromonte
Lady Cronopio.
Recife, 21/12/2007
O ano que não foi estranho.
Um Dia A Mais, E...

meu amor é por ti, como o reflexo do minuto que passou na máquina do tempo e disse:
pára!
pára!
como se fosse assim, um congelar de dias e anos, onde nem sei o que vivi pra te encontrar
aqui de novo, como se nada tivesse acontecido, ou se apenas um segundo congelado na alma
tivesse feito alguma ferida que logo, diante do teu olhar sereno, sarou.
ah, meu amor é por ti o de sempre
aquele que nasce com a gente, cresce (e pode até se esconder em alguma dobra de cortina
empoeirada, ou em página de agenda que se virou sem querer e se viu depois que estava
tudo limpo... em branco mesmo, esperando ser reescrito).
esse meu amor por ti assim é... lava de vulcão adormecido que se solta e ladeira abaixo
segue tudo queimando e trazendo à vida... como se lava pudesse ser grão, semente boa de
brotar em solo que se dizia infértil e hoje grita:
Vida! Vida! Vida!
E que vida era essa que passava diante de mim e eu nem sabia com tanta dor que era apenas
saudade do que não vivi e sabia: precisava pois; este amor é o que sempre me perdi
procurando,
como se o amor fosse fácil assim de decifrar...
mas este amor de ontem, hoje se faz amanhã
e na solidez do tempo que se encarregou de mudar nossa face, mas não se atreveu a nossos corações
é que digo:
é você o amor que sempre quis e tenho agora
em mim, no tempo que nos resta, no saldo que temos e na vida que virá depois
pois não seria mesmo justo se acabasse agora, nem metade que foi do que já estivemos tão longe.
você é o amor em mim
e sou em em você o clarão do sol que se deita na areia da praia cantando um fado que a
gente nem sabia, na voz da filha de uma cantora.
em você, eu sou canto de cotovia antes do alvorecer.
amo você e meu amor é mais.
que nem uma mãe ama seu rebento, ou o rebento que sabe que sem aquele ventre nem mesmo saberia o que fazer.
meu amor por você é tudo e sempre será um pouco mais.
pelo tempo que passou, que é hoje
e que virá
eu sei.
albanegromonte
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