março 23, 2007

Saudades Deste Poeta...


"Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria você ah se ousássemos."


Caio Fernando de Abreu

To My Baby


Ela era só.

Solidão vaga em ondas de nada.

Ia e vinha,

Beira do mar

Ou bravo sertão.

Mágoa e feridas que não saravam

-Pobre e inquieto coração


Um dia, vento forte arrancou a porta da frente

E um assovio conhecido entrou-lhe pelos ouvidos


Ela olhou e sorriu de lembrar.

Os olhos antigos destelharam seu teto.

Percorreram sua alma&coração

E ela, abriu um sorriso que não mais sabia.


Mais um tempo de maremotos, terremotos e furacões.


Ela acreditou e foi.

Refez a s malas e partiu para o que nem mesmo acreditava.

Mas...


Anel faz-de-conta no dedo.

Nada prometido.

Apenas pressentido,

nas entrelinhas do bater do coração.


Coração dela que nunca desistiu

(e hoje sabe o porquê)

De ser feliz até.


albanegromonte

março 21, 2007

Para Quem Sabe

um dia acordas, olhas no espelho e não te reconheces.
"não pode ser eu!"
mas, o Tempo, amigo, é certo feito flecha de Cupido e sabe o que faz.
esta ruga nos lábios, é o beijo desejado, não dado, guardado em novelos de lã.
este franzir de olhos, é o amor que te passou adiante, cavalo selado e não foste com ele.
este traço em três linhas na tua fronte, nada mais que teu recusar ser alguém em outra vida que não a tua.
este esgar irônico nos teus lábios ressequidos por falta de beijos, vem da tua descrença no impossível de alguém te amar mais que a tu mesmo foste capaz.
é, meu caro, este espelho não te mente.
creia.
este amor que te foi oferecido, doado, implorado até...
se foi em brumas de nada ou de tudo, quem saberá?
mas hoje não te povoa a mente, nem desmente o Tempo que se atreve a teus espelhos, de alma ou de vidro.
lamento por ti, que nunca soubeste o que tinha nas mãos e que atiraste janela a fora, sem se perguntar o porquê.
hoje ela chora em outros braços.
aquele amor a ti destinado tomou novo ritmo
e vagarosamente, a 80km/h por hora, viaja terras desse País para ser amada como apenas desejou. tudo que queria esta mulher, era te amar.
mas nunca prestando atenção, teu olhar chegou atrasado.
e talvez, quem saberá?
tu sentirás falta daquela mão serena, presente
amorosa mão que te acumulava os dias.
mas...
tu não sabias.
enfim.


albanegromonte

fevereiro 24, 2007

Anônimo

Não me traga sonhos que não posso mais.
Dúvidas sobre who you are.
Diga-me quem é , ao que veio. Que profecia me traz nas entrelinhas?
Não semeie tempestade onde a calmaria chegou após tanta dor.
Sinalize.
Seja farol.
Tormentas podem me reconduzir ao Inferno.
Uma rosa amarela me trouxe de volta.
Que cor é a sua alma?

albanegromonte

fevereiro 16, 2007

NoThiNg

Enquanto sei,
envolta em lembranças tantas e tontas
Vago em ondas e estrelas de lugar nenhum
onde apenas uma memória de fogo
espelha sal em minha pele
e em outro olhar, outra luz, outra cor
Pressinto a quase saudade de tudo
(hoje nada)

Enquanto um tambor acelera dentro do peito meu
saltando pela transparência da minha alma
(serena alma que falaste um dia qualquer de um ano que já esqueci)
Aquieto rumores de volta
Enxugo a quieta lágrima que me salta sal&sol
em cântaros de fontes de eternidade

Enquanto arranco a página do livro que tem teu nome
Escuto a antiga canção que fala de quando andávamos nas estrelas.
Será?

Enquanto olho pras montanhas através do vidro escuro do meu carro
Fotografo em minhas digitais o teu último sorriso lembrado.
E sigo, gastando sapatos e estradas
Tentando sempre, ser feliz sem ti.

albanegromonte