agosto 30, 2016

B.

A asa da saudade pousa em minha alma dizendo seu nome.
Recolho a lembrança num papel em branco tentando traduzir, achar palavra qualquer que represente ainda que por um segundo, o tanto de amor que guardei para você nestes dias todos que nos separam.
Não há.
Não há verso meu ou do poeta maior, que possa acalmar esta fome sentida do seu corpo no meu, da sua voz no meu ouvido, no gesto mais comum que você faz quando estamos juntos. 
Não há.
Então recorto da memória rasa, uma frase sua, uma palavra que vem só para mim, um dizer nosso. Me agarro a este pedaço de você que resiste inteiro em mim e remonto o calendário, trazendo pra daqui a pouco, o mês que será.
Aos poucos se acalma o desejo, e a lágrima turva meus olhos embaçados. Mas nem nesta hora, sai da minha alma esta sede que só aumenta.
Fecho os olhos e ainda lá está você me dizendo as palavras de amor que mais esperei. 
Abraço então o travesseiro e rogo aos anjos que me tragam você num sonho que dure até a sua volta.

alba N.

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