novembro 26, 2010

On The Rocks


pois é pela manhã que menos me sinto real.




quando amanhece,
eu salto as paredes do labirinto e abro as cortinas pro sol
quando amanhece, 
eu solto os cabelos, passo baton e corro pela casa de pijamas e sandálias prateadas, cantando canções de ninar
em ritmo de  blues gasoso, ou rock on the rocks
quando amanhece, 
eu adormeço meus pesadelos 
fecho as páginas do livro em branco
e desescrevo a dor de ser só.
quando amanhece
eu apago do espelho
as pegadas do tempo, o fio branco dos cabelos, o sulco de saudade no lábio e a vontade de voltar


quando amanhece
eu salto, abro, solto, passo, corro, canto, adormeço, fecho. desescrevo, apago, acordo e amanheço.


albanegromonte

3 comentários:

Menina disse...

AAAAIIINNN,saudade de Roberto Carlos me deu agora quando li isso,sabia?!Bem tu...amei!
Amor pá xempe!

M. disse...

Se es assim de manhã, como serás a noite. pela noite.

Lindo poema. Fresco. fresco.

Djabal disse...

Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
-disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

Mario Quintana


Pois é. Você poetisa sempre. Basta o mote que ela surge: alegre, precisa e bela.
Ajuntei uma outra do Quintana querido, para perpetuar o seu momento. Sempre assim, cantando canções de ninar. Esse pequeno detalhe , faz toda diferença. Cante.
Beijos e ...você já sabe.