setembro 02, 2010

Retalhando um poema

"Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus."


Caio F.

2 comentários:

Djabal disse...

Aqui fala a sua insônia insuportável, velando à noite, passeando pelo antigo Nordeste Ocidental, deitado em Lençóis, aparando os bichos carentes, contando as listras do tigre, e cheirando o lótus, apenas adivinhando as nuvens, e batizando os ventos. No fim: Bom dia.
Beijos, e a.c.t.

Lady Cronopio disse...

Muito lindo isso...
Sempre você.
Beijos e a.c.t.