julho 19, 2010

De Hoje

agora que me vejo através do espelho passado,
encontro presente o que sempre fui e não pretendia...
à soleira da porta,
um bem-te-vi me avisa que é hora,
língua do sol me lambe a perna que foge do lençol amarrotado
e pelas íris quase nuas de visão, entendo a manhã anunciada
como um bilhete do Tempo que ido assim
nem se fez sentir ausente.
e pressinto através dos sentidos absurdos, o cheiro de mar, de vento, de tempestade...
retorno ao sonho para te encontrar ali inerte, ante a criação do mundo
olhos enviesados de sempre
mãos que não se acham onde ficar...
e é mesmo você, que me olha então da porta sonolenta quase fechada desta dimensão que não alcanço
e é este seu sorriso de flor empalhada
que me acende as cores
me faz descer arco-íris e nuvens
rumo ao rio que me soa o Douro, melancólico rio
onde vou navegar meu sonho de estar sempre em você.

albanegromonte

4 comentários:

Djabal disse...

Descrever o amor como um poeta do século, onde ele era uma espécie de doença. Algo incontrolável que despertava as palavas que rugem de dentro e encantam os que estão aqui fora. É isso que você faz. Encontrar a palavra indispensável, a metáfora única, que encosta os dedos no divino. É o que vi. Ouvi com meu coração a sua voz e gostei imenso também. Naveguei o teu sonho também. Meus parabéns e aquela coisa toda.

Liginha Freire disse...

O cara daí de cima falou e eu confirmo...SHOW!!!

Lady Cronopio disse...

Djabal, quando você faz um comentário desses, tenho vontade de colocar num quadro e ficar olhando todo dia...
É tudo isso mesmo?
Aquela coisa toda, sempre, e mais toda a minha admiração.

Lady Cronopio disse...

Eliot, o "cara daí de cima" merece uma espiada nos escritos, viu?
Aí você verá o verdadeiro significado da literatura como transformadora de pensares...
Beijos, cherie.