julho 02, 2009

A Tela, O Filme






"Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos, nem nos lembrámos sequer de dizer-nos como nos chamamos, e para quê, para que iriam servir- nos os nomes, nenhum cão reconhece outro cão, ou se lhe dá a conhecer, pelos nomes que lhes foram postos, é pelo cheiro que identifica e se dá a identificar, nós aqui somos como uma outra raça de cães, conhecemo- nos pelo ladrar, pelo falar, o resto, feições, cor dos olhos, da pele, do cabelo, não conta, é como se não existisse, eu ainda vejo, mas até quando".

José Saramago in Ensaio Sobre A Cegueira

Foto do Estadão, no set de filmagem de Blindness (Fernando Meireles), em cena que evoca Brueguel.

2 comentários:

Djabal disse...

Cães danados. Sem motivo aparente, mas apenas danados, pelo dia-a-dia,
pela cegueira, pela desumanidade. Esquecemo-nos da irmandade. Que descendemos de uma única origem.
Cães danados, como aqueles da andaluzia que são abandonados, que vimos nos filmes de Buñuel. Eu li uma história, em que eles estavam lá. Pensei que era imagem poética, e não o é. Não é apenas poética, é real, imensamente real. Besos.

Lady Cronopio disse...

Às vezes é tão perto da poesia, o que de fato existe...
Beijos