julho 02, 2009

Cravo (I)


acorda em minha carne o fantasma boquiaberto das infinitas tristezas de um dia, com tanto brilho que há em tudo que se desprende da minha alma em paz.
acorda e em silêncio, gravita em torno do arco-íris, cobrindo com suas asas de lágrimas, os arcos de riso, os parenteses das faces que me viam até então.
acorda, saca a adaga dos males e das inquietudes que pairavam em palavras não rifadas, em solos de silêncio tão absoluto que nem a mais linda das canções que ouvi, consegue rasgar.
a corda acorda.
e na parede do meu sonho esparso, vejo o nó que se engata aos poucos
cerzindo as feridas abertas do peito sustenido e assustado.
nó que aperta, que abafa que ruge arranhando a pele que já
não consegue conter o nervo, o músculo o sangue...
incontida eu
choro em viva carne.
e o fantasma não mais boquiaberto se volta para a profundeza de mim
prometendo voltar.

albanegromonte

3 comentários:

Djabal disse...

Pois que volte, e o sustenido do peito o sustentará fora. Tenho como certo, tenha também. Beijos.

Lady Cronopio disse...

Dobro os joelhos e reconheço que mesmo que não seja minha a dor que deveras sinto (ah, Pessoa!), não tenho outro caminho a percorrer nos volteios quase poéticos que faço.
Certa de que você acertou em cheio!
Beijos

freireligia disse...

Que nem volte!Ou que volte,mas volte com um pé atrás,porque a decisão está tomada!

Sou sua fã!