junho 19, 2008

Dispersão


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida... (...)

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Mário Sá-Carneiro

2 comentários:

Djabal disse...

"Todas as coisas a deixaram, menos
uma. A generosa cortesia
acompanhou-a até o fim da jornada,
para além do delírio e do eclipse,
de modo quase angelical. De Elvira
o que primeiro vi, há tantos anos,
foi o sorriso, e o que vejo por último".
Jorge Luis Borges
PS.:- Li nessa poesia dele, uma espécie de continuação, versão feminina. Como uma última estrofe. Beijo (a.c.t.)

Kovacs disse...

Aproveitando o tema e sabedor do seu conhecido amor por Fernando Pessoa, convido para uma visita no meu blog para conhecer o mais novo site sobre o grande poeta. Você vai gostar, garanto.