abril 17, 2008

Soneto Do Desmantelo Azul


Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

Carlos Pena Filho

2 comentários:

Djabal disse...

Azul é uma palavra doce, cantante, que foi escolhida pelos americanos como sinal de tristeza, pelos romanos como sinal de estrangeiro, e agora- por um dos nossos - como cansaço.
E perdidos no azul da tela em nosso rosto contemplaremos também o sul vertiginosamente azul. Lindo. Você lembra de cada coisa. Bjs.

Lady Cronopio disse...

Legal mesmo é ter alguém que percebe "cada coisa".
Beijos e act.