
flor de lótus nascendo impune
no meio da bagunça deste coração que só conhecia a tristeza
arrebentando comportas de sentimento desigual
que me toma dias e horas me fazendo sorrir de tudo que existe de mais trivial.
dia amanhece, entardece, anoitece
e não sei mais nada que não seja
a memória do teu último beijo na minha boca
do teu abraço apertado
do teu olhar de saudade misturada com temor solto pela varanda da casa
enquanto eu pegava o casaco e dizia - até qualquer dia...
ainda hoje não sei, se de medo deste querer que já nasceu grande em nós
ou se de saudade do que não tivemos tempo para ter...
ah, mas não há dia que amanheça
e eu abrindo os olhos, não tenha o desejo de ter teu corpo quente a meu lado
não há tarde que se finde no brilho róseo do sol se pondo
e eu voltando para casa não pense,
em como seria bom,
estar chegando pros teus braços
pro teu peito porto seguro onde quero ancorar meus segredos
e não há noite que comece ou finde
que eu não esteja lembrando do teu olhar enviesado
sobre meu rosto, sobre meu corpo
a desvendar minha alma, então nua e tão entregue a tuas buscas
e não existem mais madrugadas em que não te busque a mão,
enquanto sonho em estar contigo outra vez
e desta, para sempre
albanegromonte