outubro 07, 2006

Amor

Desalento entre instantes de sorrir. Espinho moderado na garganta que esfola mas não mata. Gato com rato na boca (já viu?), parece que brinca com a vítima, mas olhando bem é tortura que aprisiona, solta, empurra, traz para si, afasta, morde, mastiga, sopra descansa, olha de novo, pega tritura e enfim dá o suspiro com olhos virados para o céu e misericórdia de deuses desconhecidos, a patada final que apaga a última estrela de diamante que brilhava no olhar do rato agora purificado. O gato era quem o rato amava e não sabia, em sua pureza dos que mal nasceram, mal desconfiando que ele, o rato, era a presa; e o gato, na essência natural das leis que regem a natureza, o predador. Descansa agora o gato, deitado em almofadas de cetim, lambendo os pêlos, esperando a próxima entrada. O rato perdido entre cometas suicidas e densas florestas de musgo e magnólias descoloridas, ainda sofre e chora a perda do amor.

albanegromonte

Um comentário:

Clayton disse...

bueno demasiado, han?
já te disse que adoro a atmosfera e seus personagens
realmente vc poderia ter um livro?
vc tem um livro?
gostei em demasia
Aquela coisa toda
abraço....