setembro 30, 2010

de um rasgado amor...




o meu amor me completa quando me falta uma peça...
me segura quando fico tonta e não me deixa cair.
meu amor me olha à noite, enquanto durmo, e sabe cada suspiro ou mudança de prumo
meu amor vem de muito longe
atravessou o caminho do nosso Estado, correndo do mar pro Sertão
para me arrancar da solidão que eu encontrara e que me agarrara que nem náufrago a pedaço de madeira rota, me retomou os beijos desejados no nosso primeiro encontro, tomou minhas mãos e me prometeu o que nem sabia
mas que dizia, ser melhor que estes encontros com o nada, que terminavam ao fim, com gosto de quase desespero na manhã seguinte
há mais de 240 luas que nos iluminavam tão perto, mas não nos percebíamos nos abismos em que
nos jogaram os absurdos e estranhos amores que nos levaram a quase desistir de encontrar aquele sentimento que fora nosso um dia, mas que hoje ele trazia na memória, e eu nas páginas de um diário pueril.
o meu amor me sabe as dores, os defeitos tantos, os medos, as fases de lua que toda mulher tem,
o meu amor gosta de me ver cantar, lê meu arremedos de poesia
o meu amor me acorda com carinho de pai, me diz que sou linda descabelada quem um mico-leão
me abraça, me beija, mas é impiedoso quando me joga no banho frio às cinco da manhã
meu amor acha graça dos apelidos que crio pros bichos que rodeiam nosso jardim
meu amor sabe de mim e me deixa saber dele
meu amor me abraça à noite e vigia se os monstros antigos vão me atormentar
meu amor não é perfeito
mas mesmo quando imperfeiçoa seus atos,
continua mão sobre a minha mão, como se dissesse: já passa...
meu amor é tudo
meu amor é o passado bonito que trouxemos de volta pelas mãos do Destino
e transpondo a estrada Sertão-Mar
arrisquei o que mal tinha
mas que hoje é todo o meu tesouro.
o meu amor é...

albanegromote

6 comentários:

Florisbella disse...

Lindo, muito lindo.

Lady Cronopio disse...

Obrigada, Flor!
Depois, irei no seu blog com mais vagar.
Beijos e carinho

Djabal disse...

Quem declara e declama o amor, geralmente o faz com o peito e cata sua lavoura nas nuvens, prevendo bom tempo permanente. Você como Vinícius, dá um toque de sal, tempera o cozido e o faz saboroso, enquanto dure, ou mostrando seus não só feitos; comparecem os defeitos. E a lua é que prevalecerá sempre, seu nome é mulher. Beijos.

Menina disse...

Viiiige que coisa mais linda!

Lady Cronopio disse...

Djabal, o que seria deste blog e destes meus arremedos se não existisse você, anh?
Aquela toda coisa.
Beijos

Lady Cronopio disse...

Linda é você, Menina!