abril 23, 2010

Memórias


eu era do nada, um pouco.
vagava no escuro,
tropeçava em meus pés descalços e caía a cada abismo que se dava.
(concessão de um mundo que se retirava de um outro, então)

era eu, um novelo desembrulhando dores
meus olhos derramavam sete cachoeiras de saudades.
tempo não havia.

sol e lua eram um só, encobertos pelos cílios negros que sempre acolheram minha visão.
e não havia luz, e não havia som nem cor.

eu era um pouco do nada
que se arrebentava a cada dia que advinhava pelos ponteiros da bomba-relógio
que batia descompassada no lado esquerdo do peito vazio.

era eu assim.

mas espelho da vida se retocou
e num mês 11, antes que no duodécimo se cumprisse a profecia da insanidade
acordei de mim
e te vi...

e aí começa outro verso que já não cabe aqui.


albanegromonte

2 comentários:

Djabal disse...

o quanto você quer, me diga, com frio na barriga,
proclamar norte onde seu nariz aponte, se livrar do
que não interessa, com força, abrir a cabeça, meter pés
pelas mãos, com pressa, não importa, sentar no escombro
ombro a ombro com a obra, me diga me diga, com frio
na barriga, quanto tempo perdido, quantos reais no bolso,
quantos livros não lidos, quantos minutos de espera,
quantos dentes cariados, me diga o quanto você quer isso
[tudo
e para onde quer que envie, se você quer que embrulhe


{Angélica Feitas em Rilke shake}

Também poeta, também amiga, com muito talento. Beijos e obrigado , uma vez mais e sempre, sempre; e a.c.t.

paredro disse...

hemisférios do caleidoscópio =)