outubro 24, 2008

Violet


em meu olhar, pousa um rouxinol mudo. em águas turvas entro com pedras nos bolsos da camisa que me cobre o corpo. o mar me chama. a tristeza de mim, empurra cada passo dentro da água pontilhada de estrelas que deviam estar no céu.
Cortazar me disse que a violeta é uma cor triste.
eu acreditei. mas uma violeta viva se atirou de um décimo andar na avenida que olha pro Atlãntico, bem a meus pés, então entendi a tristeza de ser violeta.
é mesmo triste ser frágil. a dose a mais ou a menos de cuidado... fere, castiga, rasga e mata.
violeta que sou e nem sabia, me atirei junto com esta me abraçou no último suspiro do décimo andar onde moras e corri pro mar, catando pedras e conchas pelo caminho areado, e jogando nos bolsos da camisa que guarda um coração que só bate por teu existir, e se tu já és morto em mim, não pode mais existir tal coração.
eu e a violeta entramos no mar e acolhidas fomos pela rainha que nos disse bem vindas ao Paraíso, enfim.
morremos.
eu e a violeta atirada da tua janela.

albanegromonte

escrito após leitura de Virgínia W. em ano qualquer.

Um comentário:

Djabal disse...

Descobrir-se uma violeta, descobrir poeticamente que a morte é a véspera do renascimento. Quem sabe a cor será a mesma? A tristeza como fundo pode permanecer, mas a alegria como forma deve caminhar e soltar todas as pedras que remanesceram. Assim, anda, livre e solta. Bjs e aquela coisa toda.