novembro 06, 2007

Casa Vazia


Poema nenhum, nunca mais,

será um acontecimento:

escrevemos cada vez mais

para um mundo cada vez menos,



para esse público dos ermos

composto apenas de nós mesmos,



uns joões batistas a pregar

para as dobras de suas túnicas

seu deserto particular,



ou cães latindo, noite e dia,

dentro de uma casa vazia.


Alberto da Cunha Melo

2 comentários:

Kovacs disse...

Muito bom poema, escolha refinada. Parabéns.

Lady Cronopio disse...

Gratíssima, Kovacs.
Você, um os meus quatro leitores, é que me animam a continuar minhas buscas e escritos por aqui.