agosto 17, 2011

Vins De L'Avenir

"Vamos morrer, mas somos sensatos,
E à noite, debaixo da cama,
Deixamos, simétricos e exatos,
O medo e os sapatos".
Pedro  Mexia, in  Senhor Fantasma, Oceanos, 2007



o tempo corre, se esvai
e desnuda-se minha alma aos poucos,
em versos incompletos,
em detalhes que se vão pelos ares de Agosto, mês que se passa hoje.
e nunca em tão poucas horas, se fez uma coisa assim.
que nome terá, este sentir que nasce e se derrama pelas escadas molhadas de lágrimas passadas, pelas pedras que se amontoam nas arestas dos caminhos por onde passamos?
e que sentir é esse que atravessa mapas estrangeiros, poemas indecifráveis, enigmas, vozes, emoção e mais além?
que enlouquece que nem o vento fotografado faz com os Humanos?
que partilha uma estrada, uma visão, uma melodia riscada à meia-boca, um verso ucraniano que salta das páginas do livro amado,  um fragmento de nada, que de repente cresce e vira Tudo...
e como se faz quando a tela mostra um nó cego que tudo vê?
- as perguntas se amontoam em caixas que apelidamos de Febres.
e há sempre um dia que só amanhece na palavra esperada,
há uma noite que se guarda silenciosa e fria,
uma morte anunciada, renegada, protelada e amaldiçoada desde então.
há um quê de pecado nisto tudo
e um insano incontrolavel desejo de saber:
quem é você?

Lady C.

3 comentários:

  1. oLA! vi que tem muita sensibilidade...pelos seus post...inclusive enviei uma frase sua para o meu blog!
    gostaria de lhe convidar para participar do meu blog e também divulgar ou participar do PROJETO SINTONIA.

    http://jutilandia-terapeuta.blogspot.com/

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. desmontando o frevo

    desmontando
    o brinquedo
    eu descobri
    que o frevo
    tem muito a ver
    com certo
    jeito mestiço de ser
    um jeito misto
    de querer
    isto e aquilo
    sem nunca estar tranqüilo
    com aquilo
    nem com isto
    de ser meio
    e meio ser
    sem deixar
    de ser inteiro
    e nem por isso
    desistir
    de ser completo
    mistério

    eu quero
    ser o janeiro
    a chegar
    em fevereiro
    fazendo o frevo
    que eu quero
    chegar na frente
    em primeiro

    Pareceu que você quis cometer uma transcrição em prosa da poesia do Leminski. De ser meio a meio sem deixar de ser inteiro. Só mistério.
    Quantas perguntas amontoadas em caixas de bocas abertas, esperando o fruto, resignadas. Mas não vi pecado nisso tudo. Vi o incontrolável e declarado desejo.
    Lindo como sempre. Ah você, Lady. Beijos e aquela coisa toda.

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