abril 06, 2011

Desfiguração (I)

canto da sala desta minha alma, exala escuridão e abandono.
do alto deste teto vermelho-sangue, segue pendurada que nem um enforcado, uma lâmpada queimada há tanto que já nem lembro a cor das paredes
e há paredes que me encarceram neste sentimento antigo que trava meus movimentos, mantendo presos meus abraços para você que chama da porta que não tem chave, onde há chumbo intransponível.
 e enquanto derramo as lágrimas esquecidas de um tempo que pensava morto e tão enterrado, retorno ao umbigo atávico e me dobro em paz que não chega, que não vem, que surda e muda se esvai pelos meus dedos com unhas roídas pelas perdas, pelo esquecimento, pela dor de não querer e ter, que voltar a não-ser.
estou eu.


albanegromonte

4 comentários:

  1. os últimos textos que você escreveu, notei, são recheados de vermelho.
    Então sugiro que você troque a cor do teto, que a cor das paredes voltarão, o umbigo atávico se desviará, e a unha encompridará com os ganhos.
    Perdoe a receita de médico de boteco, mas foi irresistível. Rir, ou tentar fazer rir, é um verdadeiro jump mental. Beijos e toda coisa aquela, sabe?

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  2. vais-me desculpa o egoísmo: contente por te ver por cá!!

    Do resto, que é muito...tempo...parece-me que é isso que precisas:)

    Bom reler-te. Muito!

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  3. Sim, Djabal! Arrancou-me um sorriso ao pensar no teto vermelho desta fantasia...
    Meu heroi de sempre é você!
    lamentando ainda não ter feito o download do seu livro, pois os códigos e coisa e tal, ficaram no comatoso notebook...
    snif...
    Beijos e toda coisa aquela que sabe você!!!

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  4. M., querida!!!
    Sempre tão bom vê-la aqui... com ou sem egoísmo... rs...
    Vale a pena sua fidelidade e carinho.
    Gosto por demais desta sua presença suave e serena.
    Grande beijo daqui pra você.

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